Saiba mais sobre os personagens
3ª.Parte
Sóror Joana Angélica – A mártir da Independência
(Sóror do Convento da Lapa foi assassinada por soldados portugueses por impedir
o acesso deles ao Convento, onde segundo alegações, "estariam brasileiros
fugitivos").
João das Botas - Liderou uma das embarcações que
deu combate a navios portugueses. Foi protagonista das mais importantes
batalhas navais na Guerra pela Independência.
Ladislau Titara (O poeta da Independência) -
Soldado e poeta, serviu as ordens do General Labatut e deixou valiosos e
detalhados escritos. É autor de "Paraguassu", Epopéia da Guerra da
Independência na Bahia e da letra do Hino ao 2 de Julho.
Madeira de Mello - Nomeado Governador das Armas,
representou a face da opressão portuguesa do processo da Independência do
Brasil.
General Labatut – Francês, serviu como Oficial no
Exército de Napoleão Bonaparte. Foi contratado por Dom Pedro para organizar o
Exército Brasileiro na luta que, na Bahia travava-se contra as tropas
portuguesas que resistiam a Independência do Brasil. Foi deposto do comando
quando faltavam poucos meses para a vitória final, em 2 de julho de 1823.
Maria Quitéria-Heroína, teve um papel importante
pois representou a adesão das baianas à luta pela Independência. Foi
condecorada por D. Pedro e é uma personagem símbolo das festas do 2 de julho.
Perfil de Santos Titara é prévia de especial sobre
o 2 de Julho
Com as festas do mês de junho - Santo Antônio, São
João e São Pedro - encontrando-se com as comemorações da Independência da
Bahia, a coluna A TARDE Memória adotou um calendário com algumas modificações
no seu dia de publicação mais constante, que é o sábado. O texto que contou a história do Arraiá da
Capitá, promovido pelo Grupo A TARDE e que se consolidou como modelo de evento
junino em Salvador, por exemplo, foi publicado na última quarta-feira, 23, véspera
de São João.
Na próxima sexta-feira, A TARDE Memória terá uma
edição em formato digital e linguagem multimídia sobre o 2 de Julho, a Festa da
Independência da Bahia, com extensão de conteúdo para outros canais do Grupo A
TARDE. Em consonância com essa abordagem apresentamos hoje um texto no gênero
perfil para contar a história de Ladislau dos Santos Titara que, embora pouco
conhecido quando comparado a outros personagens das guerras pela Independência,
teve um papel de destaque nos registros dos acontecimentos.
Encontrar referências muito precisas sobre Santos
Titara é um desafio. O site do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
(IHGB), de onde foi sócio, tem uma pequena biografia com dados que, embora
mínimos, dão uma dimensão da sua trajetória interessante.
Santos Titara compôs o poema Paraguassu, que narra
episódios sobre a Guerra da Independência da Bahia, com a autoridade de quem
viu tudo de perto. Era dele a missão de
registrar em livros a correspondência do general Pedro Labatut, que comandou o
chamado “Exército Pacificador” na primeira fase da guerra. Titara é um dos que
menciona ter escutado o toque de “avançar” no lugar da ordem de recuo na
Batalha de Pirajá, ocorrida em 8 de novembro de 1822.
Esse é um dos episódios mais famosos e controversos
da narrativa sobre a Guerra da Independência da Bahia. Segundo essa versão, os portugueses
promoveram um ataque surpresa às tropas baianas em Pirajá com o objetivo de
furar o cerco que causava a fome para quem não conseguiu sair da cidade. Mais
bem treinados, os soldados da coroa portuguesa dominavam a luta. O comandante das tropas do lado brasileiro
nesse dia, Barros Falcão, ordenou a retirada, mas o responsável pela
comunicação em forma sonora, o corneteiro Luís Lopes, confundiu a mensagem. Ao
invés do recuo executou o toque que significava “avançar e degolar” e a
confusão se instalou do lado português. Aproveitando o momento de hesitação, o
lado baiano foi para cima e pronto: a batalha estava vencida.
Santos Titara nasceu em Capuame, hoje município de
Dias d´Ávila, em 1801, e morreu no Rio de Janeiro aos 60 anos . Era oficial do
Exército e participou da campanha pela Independência, além da Bahia, no Piaui,
Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Recebeu várias condecorações: Ordem da Rosa, Cavaleiro da Imperial do Cruzeiro
e medalha da Campanha da Independência.
Autor de trabalhos técnicos, como inventários
militares, Santos Titara se destacou no enredo da independência baiana bem mais
pela veia poética. Além do poema Paraguassu, é o autor da letra do que se
tornaria o Hino da Independência da Bahia:
“Nasce o sol a 2 de julho/Brilha mais que no
primeiro/É sinal que neste dia/Até o sol é brasileiro”.
A letra faz, uma referência à batalha que Ladislau
acompanhou de perto, travada em Pirajá:
“Salve, oh! Rei das campinas/De Cabrito e
Pirajá/Nossa pátria hoje livre/Dos tiranos não será.“
Mesmo sabendo pouco sobre Titara dá para imaginar
sua paixão pela causa. Registrado como Ladislau do Espírito Santo Melo trocou
de nome assim como muitos fizeram para se desvincular de qualquer relação com
Portugal. Passou, então, a assinar como Ladislau dos Santos Titara. Esse último
nome é sinônimo tanto de um tipo de palmeira como também de cachaça, o que soa
bem mais brasileiro.
Dionê Leony Machado
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