O corneteiro LUÍS LOPES, o herói inusitado da
Independência 8ª.parte
Eu, como Lopes, muitas vezes gosto de conhecer
outros Lopes. E um deles, homenageado em uma curiosa estátua em uma esquina de
Ipanema no Rio de Janeiro, me chamou às vias de fato. A avenida principal do bairro se chama
Visconde de Pirajá, por causa de Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque,
primeiro barão e único visconde com grandeza de Pirajá, (Salvador, 1788 –
Salvador, 29 de julho de 1848), muito conhecido no interior baiano por coronel
Santinho, senhor de engenho e um dos principais heróis da guerra de
Independência do Brasil. Pela vitória em suas terras, contra os portugueses,
Santinho ganhou o título de Visconde dado por Dom Pedro I.
A Bahia encontrava-se sitiada pelas tropas portuguesas
em novembro de 1822, que iam pouco a pouco deteriorando as forças de
resistência brasileiras comandadas pelo General Labatut. Em meio a uma feroz
ofensiva, o comandante ordena ao corneteiro português, servindo nas fileiras
baianas, Luiz Lopes a tocar a “retirada”. Por motivações que se tornam ambíguas
pela trama, o corneteiro Lopes desobedece e altera o toque para “avançar
cavalaria, a degolar”. O resultado, premeditado ou não, é a fuga desordenada
das tropas portuguesas que pensam terem os baianos conseguido reforços. Deste
modo foi vencida a Batalha de Pirajá, decisiva para a independência da Bahia.
A Batalha de Pirajá, que ocorreu no contexto da
Guerra da Independência do Brasil, na então Província da Bahia, a 8 de Novembro
de 1822, constituiu-se em um embate decisivo entre o Exército Pacificador e as
forças portuguesas, nomeadamente a Legião Constitucional, com a vitória
brasileira, consolidando a situação de derrota política e militar dos
portugueses na Bahia. Tais fatores iriam contribuir para a Independência da
Bahia, deflagrada a 2 de julho de 1823 – considerada, para muitos pesquisadores
e comentaristas, como um marco para a efetiva e prática Independência do
Brasil.
No comando das forças portuguesas na Bahia
encontrava-se o comandante Inácio Luís Madeira de Melo, enviado por Portugal
para sufocar os rumores de independência e a dissidência
político-administrativa. O general – mercenário – francês Pedro Labatut
(Cannes, 1776 — Salvador, 1849) foi nomeado pelo Príncipe-regente D. Pedro, a 3
de julho de 1822, como o comandante do Exército Pacificador, que assumiria o
comando das forças brasileiras que enfrentaram Madeira de Melo, na Bahia.
O curioso fato sobre o toque “errado” do corneteiro
foi mencionado por Tobias Monteiro em seu “A elaboração da independência“. O
Major Barros Falcão, que comandava as tropas brasileiras em certo ponto, dera
ordem de tocar retirada, mas o Corneteiro Luís Lopes, por conta própria, trocou
o toque para “cavalaria, avançar e degolar”. Os portugueses, assustados por tal
movimento (que era impossível, já que não havia cavalaria brasileira na
batalha), entraram em pânico e recuaram, dando o momento da batalha às tropas
brasileiras, que atacaram com renovado entusiasmo e venceram o confronto.
Labatut organizou o chamado Exército Pacificador,
nome provavelmente sugerido pelo ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros,
José Bonifácio de Andrada e Silva. Seguiu com as suas tropas para a Bahia, na
esquadra comandada pelo Chefe de Divisão Rodrigo de Lamare, composta por uma
fragata, duas corvetas e dois brigues, com a missão de enfrentar o general
português Inácio Luís Madeira de Melo, ali entrincheirado e em desafio ao
Regente. Labatut combateu também na
Revolução Farroupilha contra Davi Canabarro, cujo batalhão chegou a Passo Fundo
e foi dizimado em setembro de 1840. Pedro Labatut recebeu ainda em vida o
título de Marechal-de-campo. Deixou o serviço ativo em 1842 e faleceu em
Salvador na antiga rua dos Barris, via que teve o nome mudado para o de rua
General Labatut..
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