quarta-feira, 5 de julho de 2023

REFLEXÃO +02

 

Olá, Dionê Machado. Tudo bem contigo? Na carta de hoje, iremos iniciar junta uma semana de conteúdo especial. Em virtude da reunião do Foro de São Paulo estar ocorrendo no Brasil (sim, aquele que não existe), irei lhe enviar todos os dias uma carta abordando temas oriundos desta organização revolucionária. Vamos lá?

 

Na década de 2010, o Foro de São Paulo passou a ser mais conhecido do público geral e a partir das jornadas de 2013, quando sua existência e métodos de ação começam a ficar cada vez mais visíveis ao Brasil profundo. Isto por si já foi uma grande vitória, afinal, o Foro de São Paulo fora “esquecido” pela imprensa brasileira e pelo jornalismo de maneira proposital, como tantas vezes denunciou o próprio professor Olavo de Carvalho.

 

Nas eleições de 2016 e de 2018 no Brasil, ouvia-se falar constantemente sobre o Foro de São Paulo nos debates das redes sociais. Com o aumento do interesse do público em geral pelo tema, voltava à tona uma série de mentiras sistemáticas promovidas pela mídia por mais de 15 anos, seguindo um roteiro conhecido:

 

Passo 1: O Foro de São Paulo não existe, isto é teoria da conspiração.

 

Passo 2: O Foro de São Paulo não é nada do que dizem, é somente uma reunião de velhinhos saudosistas das ideias socialistas da época da Guerra Fria.

 

Passo 3: O Foro de São Paulo existe, mas ele não é uma ameaça à democracia, é somente um fórum de debates de ideias da esquerda.

 

Passo 4: O grande problema do Foro de São Paulo é que ele existe, mas não com o poder que lhe é conferido, é tão-somente utilizado como uma ferramenta de discurso político eleitoral, tornando este grupo em uma ferramenta a ser explorada pela direita em todo o continente.

 

Percebe como através da manipulação da linguagem o Foro de São Paulo foi de teoria da conspiração à vítima de uma direita-conservadora-radical-reacionária e, através dos meios de mídia suas ideias protegidas pela espiral do silêncio? Se qualquer personagem político passa a falar sobre o Foro de São Paulo, é automaticamente elevado a posição de perseguidor antidemocrático e exposto à ridicularização pública como teórico da conspiração. Esta estratégia não é nova, mas já praticada de maneira sistemática pela Tcheka soviética de Lênin, onde os elementos da contrapropaganda foram moldados para combater as técnicas de persuasão dos contra-revolucionários. São elas: desmontar a propaganda alheia e atacar os seus pontos isolados concentrando poder nas partes fracas; nunca atacar perpendicularmente quando o argumento contrário for forte; deixar de lado a racionalidade e mirar o lado pessoal do rival, como escândalos, intrigas e boatos; ridicularizar o adversário colocando sua publicidade em contradição com a realidade; e por último, impedir que a propaganda inimiga fique em evidência.

 

Por outro lado, existe o problema da simplificação, que acabou transformando o Foro de São Paulo em um espantalho dialético nos meios da direita e conservadores, gerando uma confusão de sua real essência e finalidade, por vezes favorecendo o trabalho de agentes revolucionários em transformar os denunciantes em teóricos da conspiração, nos meios de comunicação e da opinião pública. Outro problema gerado por esta simplificação, é atribuir ao Foro de São Paulo facetas que não são propriamente suas. A mais comum nos últimos tempos é dizer que o Grupo de Puebla é o Foro de São Paulo com um novo nome.

 

Os agentes revolucionários, ao longo das últimas décadas, criaram diversas organizações e grupos em nosso continente, como o mencionado Grupo de Puebla, Grupo de Marbela, CELAC, Conferência Tricontinental, OLAS etc.; cada um com um objetivo específico, que naturalmente compartilham, por vezes, os mesmos membros entre si, o que nos leva a estas confusões e simplificações. Estas organizações são em sua maioria “sucursais” do Foro de São Paulo, outras são tomadas “por dentro” e passam a trabalhar em favor da organização principal.

 

 

O Foro de São Paulo é o principal meio de ações da esquerda latino-americana em mais de 30 anos. O próprio Presidente Lula declarou no aniversário de quinze anos do foro de São Paulo, no ano de 2005, que o FSP fora determinante para que a esquerda chegasse ao poder em todo o continente. Para além do discurso, temos o caso de 2008 onde, após a morte de Raul Reyes (número dois das FARC), Hugo Chávez declarou que o conhecera junto de Lula em uma reunião do Foro de São Paulo em El Salvador no ano de 1995, mesma época que o venezuelano passou a ser apadrinhado por Fidel Castro. Nesta época as FARC já eram conhecidas pelo seu envolvimento com o tráfico internacional de drogas e sequestros em níveis quase industriais.

 

Os partidos revolucionários que compõe o FSP, mais necessariamente os comunistas e socialistas, enxergam a política como uma extensão da guerra revolucionária, onde cada um faz parte de uma unidade supranacional que devem cooperar mutuamente para a tomada do poder. Em geral, seus adversários não devem ser tão-somente derrotados eleitoralmente, mas precisam ser eliminados do debate público e, se os meios forem propícios, devem ser expurgados da existência. Exemplos não faltam como Cuba, Nicarágua, Venezuela, Bolívia e Argentina.

 

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Um forte abraço e até a próxima! (continuo respondendo o máximo de e-mails possíveis de vocês)


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