quarta-feira, 13 de setembro de 2023

IDOLATRIA 6a.Parte

 

A IDOLATRIA AO DINHEIRO: Idolatrando a Mamom. 6a.Parte

Publicado por DANIEL TORRES  


Cristo nos chama para uma tomada de decisão: Ajuntar tesouro na terra ou nos céus? Servir a Deus ou a Mamom? Lembre-se de que a dedicação a um destes vai gerar a exclusão do outro, pois não há qualquer possibilidade de harmonizá-los; nosso coração não pode estar dividido entre o que é terreno e o que é espiritual. Deus deseja lealdade do seu povo. No momento em que o crente escolhe o dinheiro, o conforto e bens que Mamom pode oferecer, certamente sua espiritualidade e comunhão com o Senhor estarão comprometidas. Quem conhece a Deus de modo pessoal jamais fará a escolha errada, pois sabe que Ele abomina a idolatria: “ Não terás outros deuses diante de mim ” (Êx 20.3). Idolatria é tudo que ocupa o lugar de Deus em nossos corações.

 

COMENTÁRIO

Em Mateus 6.24 encontramos a palavra Mamom. Trata-se de um termo aramaico que significa riqueza ou opulência, engloba possessões, propriedade, alimentos, dinheiro, roupas. Por isso que em algumas traduções vemos a palavra riqueza. Por vezes, Mamom é considerado de modo personificado como sendo um tipo de deus pagão dos tempos bíblicos, porém, não passa de suposição, visto que não se tem uma provação clara dessa afirmação.

 

O uso de Mamom esteve muito presente no ensino de Cristo (Mt 6.24; Lc 16.9,11,13), mas é necessário que se leve em consideração que, no tocante à riqueza, em momento algum Jesus a combate ou afirma que tê-las é inadequado aos seus servos. Ele procurou esclarecer que quando o assunto são as riquezas é preciso prudência e bom planejamento. Foi por isso que destacou a parábola do mordomo infiel, o qual soube proceder com o dinheiro. Os que vivem por meio dos seus ensinos deveriam ter uma posição muito mais excelente.

 

Nas citações de Mateus 6.21-23, quando o homem coloca o coração no lugar certo e tem seus olhos puros, sua mente e vontade irão corresponder ao querer do Senhor, procurando fazer a sua vontade, não tendo dubiedade — essa postura não faz parte de sua vida porque já tem tudo bem definido, sabe onde colocou o seu coração.

 

O cristão que serve a Deus de coração, que ama de verdade, que é consciente de que tudo vem dEle, procura colocar as coisas que estão em seu poder à disposição da obra de Deus. Seu dinheiro, tempo, bens, carros, casas, tudo ao dispor do Senhor. Ao agir assim, o cristão está evidenciando desapego às coisas materiais e uma total devoção para com Deus (Mt 22.37; Mc 12.30).

 

Quando o cristão serve a Deus integralmente, desprendido das riquezas desta terra, mostra tanto seu amor como sua lealdade com Ele, de modo que não quer dividir essa lealdade com ninguém, em especial com Mamom.

 

Você deve decidir — ou Deus, ou Mamom. Não há como viver a vida com Deus camuflando, dizendo que o ama de verdade, mas preso ao dinheiro, pois não demorará para que a verdade seja revelada. Judas foi chamado por Jesus e andava com Ele, parecia que o servia e o amava de verdade, mas não demorou muito para ficar evidente que seu amor era por Mamom, isso já vinha sendo paulatinamente revelado (Jo 12.6), mas a confirmação veio quando entregou Jesus por dinheiro (Mt 26.14-16).

 

Quem vive em lealdade com Deus não é preso aos bens ou riquezas desta vida, pois Mamom não é seu senhor. Paulo, que antes era um homem de prestígio e posses, logo que foi dominado por Cristo passou a amá-lo de todo o coração, seu interesse doravante era voltado para as coisas espirituais, o que antes era considerado por ele como sendo o mais precioso, agora não tinha mais valor (Fp 3.7).

 

Queridos irmãos, se realmente quisermos ser discípulos de Cristo, não podemos ter uma lealdade dividida. Como bem falou Josué, tem de haver uma escolha: “Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15, ARA). Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores, ou você escolhe servir a Mamom, ser egoísta, amar o dinheiro, servir a si próprio, aos prazeres, ajuntar tesouros apenas desta terra, ou então pode escolher servir a Deus, ajuntando tesouros no céu, tendo os olhos fitos nEle.

 

A quem você serve com o Senhor? (6.24)

 

Destacamos quatro realidades solenes no texto em tela:

 

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas (6.24). Vejamos.

 

Em primeiro lugar, Jesus diz que o dinheiro não é neutro (6.24). Jesus diz que as riquezas são uma entidade, e não uma coisa. Chama as riquezas de Mamom, e não de moedas. As riquezas têm poder de subjugar as pessoas e tor-ná-las escravas. A palavra Mamom é uma transliteração de um termo hebraico que significa “o que se armazena”, ou de outro termo hebraico que significa “no que se confia”. Portanto, essa palavra refere-se à personificação da riqueza.

 

Em segundo lugar, Jesus diz que o dinheiro é um senhor que exige dedicação exclusiva (6.24). Jesus não chamou o diabo, o mundo nem mesmo César de “senhor”, mas chamou as riquezas, Mamom, de “senhor”. Esse senhor é carrasco. Escraviza seus súditos. Por amor ao dinheiro, pessoas se casam e se divorciam, matam e morrem, corrompem e são corrompidas. O dinheiro é um senhor que exige devoção exclusiva de seus súditos.

 

Em terceiro lugar, Jesus diz que nem Deus nem as riquezas aceitam devoção parcial (6.24). Deus não aceita dividir sua glória com ninguém. Ele não aceita coração dividido entre duas devoções. E possível um indivíduo ser empregado de dois patrões, mas não é possível um servo servir a dois senhores.

 

Em quarto lugar, Jesus diz que não se pode servir a Deus e às riquezas (6.24). Jesus é categórico: Não podeis servir a Deus e às riquezas. Quem serve a Deus, não pode viver mais debaixo do jugo de Mamom. Quem é escravo de Mamom, não pode ser servo de Deus.

 

Jesus explica, agora, que além da escolha entre dois tesouros (onde vamos ajuntá-los) e entre duas visões (onde vamos fixar os nossos olhos) jaz uma escolha ainda mais básica: entre dois senhores (a quem vamos servir). É uma escolha entre Deus e Mamom: “Não podeis servir a Deus e a Mamom” (ERC); isto é, entre o próprio Criador vivo e qualquer objeto de nossa própria criação que chamamos de “dinheiro” (“Mamom” é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza). Não podemos servir aos dois.

 

Algumas pessoas discordam destas palavras de Jesus. Recusam-se a ser confrontadas com uma escolha tão rígida e direta, e não veem a necessidade dela. Asseguram-nos que é perfeitamente possível servir a dois senhores simultaneamente, por conseguirem fazer isso muito bem. Diversos arranjos e ajustes possíveis parecem-lhes atraentes. Ou eles servem a Deus aos domingos e a Mamom nos dias úteis, ou a Deus com os lábios e a Mamom com o coração, ou a Deus na aparência e a Mamom na realidade, ou a Deus com metade de suas vidas e a Mamom com a outra.

 

Pois é esta solução popular de comprometimento que Jesus declara ser impossível: Ninguém pode servir a dois senhores… Não podeis servir a Deus e às riquezas (observe o “pode” e o “não podeis”). Os pretensos conciliadores interpretam mal este ensinamento, pois se esquecem da figura de escravo e dono de escravo que se encontra por trás destas palavras. Como McNeile disse: “Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores”, pois “ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão”. Portanto, qualquer pessoa que divide sua devo-ção entre Deus e Mamom já a concedeu a Mamom, uma vez que Deus só pode ser servido com devoção total e exclusiva.

 

Isto simplesmente porque ele é Deus: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem.” Tentar dividir a nossa lealdade é optar pela idolatria. E quando percebemos a profundidade da escolha entre o Criador e a criatura, entre o Deus pessoal glorioso e essa coisinha miserável chamada dinheiro, entre a adoração e a idolatria, parece inconcebível que alguém faça a escolha errada, pois agora ê uma questão não apenas de durabilidade e benefício comparativos, mas sim de valor comparativo: o valor intrínseco de um e a intrínseca falta de valor do outro.

 

STOTT, John. Contracultura cristã. A mensagem do Sermão do Monte. Editora: ABU, 1981, pag. 73-74.

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