A IDOLATRIA AO DINHEIRO: Idolatrando a Mamom. 6a.Parte
Publicado
por DANIEL TORRES
Cristo
nos chama para uma tomada de decisão: Ajuntar tesouro na terra ou nos céus?
Servir a Deus ou a Mamom? Lembre-se de que a dedicação a um destes vai gerar a
exclusão do outro, pois não há qualquer possibilidade de harmonizá-los; nosso
coração não pode estar dividido entre o que é terreno e o que é espiritual.
Deus deseja lealdade do seu povo. No momento em que o crente escolhe o
dinheiro, o conforto e bens que Mamom pode oferecer, certamente sua
espiritualidade e comunhão com o Senhor estarão comprometidas. Quem conhece a
Deus de modo pessoal jamais fará a escolha errada, pois sabe que Ele abomina a
idolatria: “ Não terás outros deuses diante de mim ” (Êx 20.3). Idolatria é
tudo que ocupa o lugar de Deus em nossos corações.
COMENTÁRIO
Em
Mateus 6.24 encontramos a palavra Mamom. Trata-se de um termo aramaico que
significa riqueza ou opulência, engloba possessões, propriedade, alimentos,
dinheiro, roupas. Por isso que em algumas traduções vemos a palavra riqueza.
Por vezes, Mamom é considerado de modo personificado como sendo um tipo de deus
pagão dos tempos bíblicos, porém, não passa de suposição, visto que não se tem
uma provação clara dessa afirmação.
O uso
de Mamom esteve muito presente no ensino de Cristo (Mt 6.24; Lc 16.9,11,13),
mas é necessário que se leve em consideração que, no tocante à riqueza, em
momento algum Jesus a combate ou afirma que tê-las é inadequado aos seus
servos. Ele procurou esclarecer que quando o assunto são as riquezas é preciso
prudência e bom planejamento. Foi por isso que destacou a parábola do mordomo
infiel, o qual soube proceder com o dinheiro. Os que vivem por meio dos seus
ensinos deveriam ter uma posição muito mais excelente.
Nas
citações de Mateus 6.21-23, quando o homem coloca o coração no lugar certo e
tem seus olhos puros, sua mente e vontade irão corresponder ao querer do
Senhor, procurando fazer a sua vontade, não tendo dubiedade — essa postura não
faz parte de sua vida porque já tem tudo bem definido, sabe onde colocou o seu
coração.
O
cristão que serve a Deus de coração, que ama de verdade, que é consciente de
que tudo vem dEle, procura colocar as coisas que estão em seu poder à
disposição da obra de Deus. Seu dinheiro, tempo, bens, carros, casas, tudo ao
dispor do Senhor. Ao agir assim, o cristão está evidenciando desapego às coisas
materiais e uma total devoção para com Deus (Mt 22.37; Mc 12.30).
Quando
o cristão serve a Deus integralmente, desprendido das riquezas desta terra,
mostra tanto seu amor como sua lealdade com Ele, de modo que não quer dividir
essa lealdade com ninguém, em especial com Mamom.
Você
deve decidir — ou Deus, ou Mamom. Não há como viver a vida com Deus camuflando,
dizendo que o ama de verdade, mas preso ao dinheiro, pois não demorará para que
a verdade seja revelada. Judas foi chamado por Jesus e andava com Ele, parecia
que o servia e o amava de verdade, mas não demorou muito para ficar evidente
que seu amor era por Mamom, isso já vinha sendo paulatinamente revelado (Jo
12.6), mas a confirmação veio quando entregou Jesus por dinheiro (Mt 26.14-16).
Quem
vive em lealdade com Deus não é preso aos bens ou riquezas desta vida, pois
Mamom não é seu senhor. Paulo, que antes era um homem de prestígio e posses,
logo que foi dominado por Cristo passou a amá-lo de todo o coração, seu
interesse doravante era voltado para as coisas espirituais, o que antes era
considerado por ele como sendo o mais precioso, agora não tinha mais valor (Fp
3.7).
Queridos
irmãos, se realmente quisermos ser discípulos de Cristo, não podemos ter uma
lealdade dividida. Como bem falou Josué, tem de haver uma escolha: “Porém, se
vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses
a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos
amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js
24.15, ARA). Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores, ou você
escolhe servir a Mamom, ser egoísta, amar o dinheiro, servir a si próprio, aos
prazeres, ajuntar tesouros apenas desta terra, ou então pode escolher servir a
Deus, ajuntando tesouros no céu, tendo os olhos fitos nEle.
A quem
você serve com o Senhor? (6.24)
Destacamos
quatro realidades solenes no texto em tela:
Ninguém
pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao
outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às
riquezas (6.24). Vejamos.
Em
primeiro lugar, Jesus diz que o dinheiro não é neutro (6.24). Jesus diz que as
riquezas são uma entidade, e não uma coisa. Chama as riquezas de Mamom, e não
de moedas. As riquezas têm poder de subjugar as pessoas e tor-ná-las escravas.
A palavra Mamom é uma transliteração de um termo hebraico que significa “o que
se armazena”, ou de outro termo hebraico que significa “no que se confia”.
Portanto, essa palavra refere-se à personificação da riqueza.
Em
segundo lugar, Jesus diz que o dinheiro é um senhor que exige dedicação
exclusiva (6.24). Jesus não chamou o diabo, o mundo nem mesmo César de
“senhor”, mas chamou as riquezas, Mamom, de “senhor”. Esse senhor é carrasco.
Escraviza seus súditos. Por amor ao dinheiro, pessoas se casam e se divorciam,
matam e morrem, corrompem e são corrompidas. O dinheiro é um senhor que exige
devoção exclusiva de seus súditos.
Em
terceiro lugar, Jesus diz que nem Deus nem as riquezas aceitam devoção parcial
(6.24). Deus não aceita dividir sua glória com ninguém. Ele não aceita coração
dividido entre duas devoções. E possível um indivíduo ser empregado de dois
patrões, mas não é possível um servo servir a dois senhores.
Em
quarto lugar, Jesus diz que não se pode servir a Deus e às riquezas (6.24).
Jesus é categórico: Não podeis servir a Deus e às riquezas. Quem serve a Deus,
não pode viver mais debaixo do jugo de Mamom. Quem é escravo de Mamom, não pode
ser servo de Deus.
Jesus
explica, agora, que além da escolha entre dois tesouros (onde vamos ajuntá-los)
e entre duas visões (onde vamos fixar os nossos olhos) jaz uma escolha ainda
mais básica: entre dois senhores (a quem vamos servir). É uma escolha entre
Deus e Mamom: “Não podeis servir a Deus e a Mamom” (ERC); isto é, entre o
próprio Criador vivo e qualquer objeto de nossa própria criação que chamamos de
“dinheiro” (“Mamom” é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza). Não
podemos servir aos dois.
Algumas
pessoas discordam destas palavras de Jesus. Recusam-se a ser confrontadas com
uma escolha tão rígida e direta, e não veem a necessidade dela. Asseguram-nos
que é perfeitamente possível servir a dois senhores simultaneamente, por
conseguirem fazer isso muito bem. Diversos arranjos e ajustes possíveis
parecem-lhes atraentes. Ou eles servem a Deus aos domingos e a Mamom nos dias
úteis, ou a Deus com os lábios e a Mamom com o coração, ou a Deus na aparência
e a Mamom na realidade, ou a Deus com metade de suas vidas e a Mamom com a outra.
Pois é
esta solução popular de comprometimento que Jesus declara ser impossível:
Ninguém pode servir a dois senhores… Não podeis servir a Deus e às riquezas
(observe o “pode” e o “não podeis”). Os pretensos conciliadores interpretam mal
este ensinamento, pois se esquecem da figura de escravo e dono de escravo que
se encontra por trás destas palavras. Como McNeile disse: “Pode-se trabalhar
para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois
senhores”, pois “ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da
essência da escravidão”. Portanto, qualquer pessoa que divide sua devo-ção
entre Deus e Mamom já a concedeu a Mamom, uma vez que Deus só pode ser servido
com devoção total e exclusiva.
Isto
simplesmente porque ele é Deus: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha
glória, pois, não a darei a outrem.” Tentar dividir a nossa lealdade é optar
pela idolatria. E quando percebemos a profundidade da escolha entre o Criador e
a criatura, entre o Deus pessoal glorioso e essa coisinha miserável chamada
dinheiro, entre a adoração e a idolatria, parece inconcebível que alguém faça a
escolha errada, pois agora ê uma questão não apenas de durabilidade e benefício
comparativos, mas sim de valor comparativo: o valor intrínseco de um e a intrínseca
falta de valor do outro.
STOTT,
John. Contracultura cristã. A mensagem do Sermão do Monte. Editora: ABU, 1981,
pag. 73-74.
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