Fé
pública em tempos de imoralidade generalizada
Fé
pública em tempos de imoralidade generalizada
Você
confiaria a educação de seu filho a um professor pedófilo? Não falo de qualquer
“louco” pedófilo, mas de alguém que, de modo consciente, acredita que crianças
devam ter “direito sexual”.
Provavelmente
esse tipo de preocupação já tenha passado pela cabeça de muitos. Geralmente
temos tal atenção para as concepções morais dos políticos, sobretudo dos
parlamentares. Mas a primeira pergunta que faço pode ser estendida de modo que
praticamente toda a fé pública caia por terra, ou seja, toda a confiança que
deveríamos depor em gente de cargo público — ou em empresas privadas — pode
abalar-se facilmente apenas com algumas questões de cunho moral. E bem sabemos como
a “moral” anda meio em falta no mercado.
Já
parou para pensar que seu médico pode ser um abortista ou um malthusiano assaz?
Quer dizer, que ele acredite que deva haver uma redução populacional, sendo
mais “lucrativo” para o mundo, em sua visão, que uma pessoa morra ao invés de
nascer ou ficar curada. Se você acha que essa filosofia não tem muitos adeptos
no campo da saúde, considere-se um inocente. O juramento de Hipócrates
tornou-se em mera tradição distante. Confiaria em tal médico?
E
quanto a mais nova moda vigente das mocinhas de RH odiarem pessoas brancas de
orientação heterossexual? Isso mesmo, a pessoa que avalia seu currículo,
principalmente em grandes empresas, pode ser uma dessas. Não dá para ficar tão
confiante assim nos vários certificados de formação, não é?
O juiz
que defende sua causa pode ter uma ideologia “pró réu”, fazendo com que ele
pense que o réu é sempre vítima da sociedade, logo, desculpado de qualquer
crime, gerando impunidade e insegurança (claro, apenas os crimes que beneficiam
a revolução). Para ficar claro, “in dubio pro reo” é muito diferente de
“ideologia pró réu”. No primeiro caso, o réu é inocente até que se prove o
contrário, no segundo caso, o réu é sempre a vítima, desde que, como dito,
favoreça a revolução.
O jornalista
que você lê ou ouve na televisão pode ter um enorme desprezo pelo “populacho” e
detestar a liberdade de expressão vinda das massas. Se você soubesse disso de
antemão, o daria ouvidos? Você sabe quem são os intelectuais que influenciam
seu padre, pastor ou rabino? Como pensa o policial que te aborda, e o
farmacêutico que te atende? Você provavelmente não conhece as referências
morais de quase ninguém com funções públicas, e eu também não. Resta apenas o
que chamamos de “fé pública”. Minha intenção com tantos questionamentos não é
abalar tal fé, é apenas mostrar o quão idiotas podemos ser depositando fé em
entes tão potencialmente indignos. Reflita um pouco. Dá mesmo para deitar nossa
confiança em indivíduos ou instituições tão indignas e em tempos mais indignos
ainda? Seja mais atento, expanda seu repertório de ideias e conheça as várias
correntes de pensamento. Você sabia que psicólogo não é tudo igual e que
existem várias correntes de pensamento em tal campo? Sabe dizer qual delas
seria a mais “moral” ou mais própria para você? Como confiar a sua saúde mental
a alguém que sequer conhece a forma de pensar?
Estamos
confiando nossas vidas em todos os aspectos a pessoas potencialmente imorais e
instituições cheias de pessoas imorais. Talvez você não ache isso tão
importante agora. Talvez precise ver um filho ou parente próximo se perder (ou
até morrer). Talvez precise perder a liberdade ou ser lesado de alguma forma.
Não podemos sondar a todos, bem sei. Mas podemos levantar mais a guarda, sermos
mais conservadores e cuidar um pouquinho melhor de nós mesmos, de nossa
família, de nossa comunidade. Portanto, que não nos apressemos em depositar
nossa fé no desconhecido, antes de ponderar com bastante cuidado. Claro, isso
tudo se você realmente acreditar em moralidade e ter referências morais claras.
Por
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Anderson
C. Sandes
Poeta,
cronista, ensaísta.
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