NAAMÃ É
CURADO DA LEPRA
“Então, desceu e mergulhou no Jor dão sete
vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou, como a carne
de um menino, e ficou purificado.” (2 Rs 5.14)
Deus
não opera milagres necessariamente segundo nossas expectativas. Ele faz do
forma e no momento que lhe apraz.
2 Reis
5.1-10,14,25-27
1- E
Naamã, chefe do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu
senhor e de muito respeito; porque por ele o SENHOR dera livramento aos siros;
e era este varão homem valoroso, porém leproso.
2- E
saíram tropas da Síria e da terra de Israel levaram presa uma menina, que ficou
ao serviço da mulher de Naamã
3- E
disse esta à sua senhora: Tomara que o meu senhor estivesse diante do profeta
que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra.
4-
Então, entrou Naamã e o notificou a seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a
menina que é da terra de Israel
5-
Então, disse o rei da Siria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel.
E foi e tomou na sua mão dez talentos de prata, e seis mil siclos de ouro, e
dez mudas de vestes.
6- E
levou a carta ao rei de Israel. dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta,
saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o restaures da sua lepra.
7- E
sucedeu que, lendo o rei de Israel a carta, rasgou as suas vestes e disse: Sou
eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim, para eu
restaurar a um homem da sua lepra? Pelo que deveras notai, peço-vos, e vede que
busca ocasião contra mim.
8-
Sucedeu, porém, que, ouvindo Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara
as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o
vir a mim, e saberá que há profeta em Israel
9-
Veio, pois, Naamã com os seus cavalos e com o seu carro e parou d porta da casa
de Eliseu.
10-
Então, Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no
Jordão, e a tua carne te tornará, e ficarás purificado.
14-
Então, desceu e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de
Deus; e a sua carne tornou, como a carne de um menino, e ficou purificado.
25-
Então, ele entrou e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: De onde
vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte.
26-
Porém ele lhe disse: Porventura, não foi contigo o meu coração, quando aquele
homem voltou de sobre o seu carro, a encontrar-te? Era isso ocasião para
tomares prata e para tomares vestes, e olivais, e vinhas, e ovelhas, e bois, e servos,
e servas?
27-
Portanto, a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua semente para sempre. Então,
saiu de diante dele leproso, branco como a neve.
OBJETIVO
GERAL
Revelar
que Deus deseja curar e salvar a todos.
O
milagre da cura de Naamã é uma demonstração de como as realidades de Deus são
muitas vezes contrárias à realidade humana: uma criada orientou o seu mestre,
invertendo os papéis; o rei de Israel, supostamente conhecedor de Deus, ficou
desesperado diante de alguém que queria conhecer ao Senhor; um leproso foi
purificado; um são foi punido com a lepra do outro; e um pagão passou a adorar
a Deus.
Os
capítulos 4.1 – 6.23 nos oferecem uma série de histórias maravilhosas de
milagres realizados por Eliseu. Ele tinha recebido uma dupla porção do Espirito
de Elias (II Reis 2.9), e assim efetuou cerca do dobro dos milagres deste (ver
II Reis 2.19 e suas notas de introdução). As histórias maravilhosas ilustram
como Yahweh autenticou o Seu profeta Eliseu, fazendo dele um violento contraste
com os falsos profetas de Baal, os quais não tinham nenhum poder espiritual.
Antes
da conversão de Naamã, o rei dos arameus, provavelmente Ben-Hadade II (Jos.,
Ant. XVIII. xv. 5), atribuiu as vitórias de Naamã a seu gênio militar (v. 1). A
frase “em alto favor” é traduzida literalmente como “ele teve o rosto
levantado”, referindo-se ao gesto do rei, de estender seu cetro na direção do
suplicante inclinado até o chão ante ele e levantar sua face (ex. Et 8.3s.).
Quando o rei se referiu a ele como “meu servo” (v. 6) quis indicar que era um
oficial do alto escalão, possivelmente, mas não necessariamente, ligado a ele
por serviços feudais. De qualquer modo, Naamã era um “grande
Também
sem saber que Yahweh o estava usando (v. 1) Naamã era um homem orgulhoso como
mostram estas observações: (1) ele veio à casa de Eliseu esperando ser recebido
com toda pompa compatível com sua posição (v. 9); (2) “a ter comigo” (v. 11) é
uma posição enfática significando “a uma pessoa como eu”; (3) “certamente”
(ARC, BJ; NVI, “eu estava certo de que ele sairia”) uma tradução do infinitivo
absoluto hebraico “sairia” também enfatiza o fato de que Naamã considerava
dever de Eliseu ir até ele, por lhe ser socialmente inferior; e (4) sua recusa
em executar o plano diferente do que ele idealizara (w. 11 e 12).
Yahweh
usou muitos agentes para efetuar a conversão de Naamã, de um homem orgulhoso e autossuficiente,
em um homem crente (v. 15), humilde (v. 18) (cp. “seu servo”), e reverente (v.
18), qualidades que Yahweh espera de todos os homens, incluindo daqueles que
ele emprega para disciplinar seu povo. Primeiro Yahweh o afligiu com lepra.
Lepra aqui não é a mesma moderna doença de Hansen (cp. R. G.
Cochrane, M. D., “Biblical Leprosy,” The Star [Carville, Louisiana, s.d.]). De qualquer modo, não era
daquele tipo que segregava da sociedade. J. Gray conclui, “a doença de Naamã
deve ter sido o que Heródoto chamou de lenkê sendo distinta de leprê Somente
Deus podia curar esta doença (v.7). Em segundo lugar, Yahweh usou seus servos
crentes de posição social bastante inferior (a menina escrava israelita [v.2] e
o próprio servo de Naamã [v. 13]). Por fim, usou o homem de Deus, que
reconheceu que sua posição de autoridade era submissa a de Deus (v. 10),
reconheceu a necessidade da fé, como de uma criança, na Palavra de Deus (vv.
11-14), e mostrou-se agradecido pelo fato de a salvação de Deus ser uma dádiva
gratuita (vv.15-16).
Comentário
Essa
menina tornou-se uma agente do Senhor na casa de Naamã. Ela não se deixou
influenciar pela cultura pagã da Síria, mas continuou sendo temente ao Senhor a
tal ponto de lembrar-se de que havia um homem de Deus em Israel. Pode-se
afirmar que ela foi um arauto, ou uma evangelista, de Deus entre um povo pagão
a ponto de convencer o comandante sírio a dar as costas para os seus deuses e
pedir a cura ao Deus de Israel por meio do profeta Eliseu. Todos podem ser
arautos do Senhor em qualquer lugar em que forem e estiverem, ainda que sejam lugares
indesejados e opressivos, como o caso dessa menina.
Pommerening.
Claiton Ivan,. O Plano de Deus para Israel em meio a infidelidade da Nação.
Editora CPAD.
E da
terra de Israel levaram cativa uma menina. Ajuda necessária no lugar errado.
Assim devem ter pensado os sírios. Uma pequena menina israelita tinha sido
feita cativa em um dos assaltos feitos pelas tropas sírias. Era comum nas
guerras antigas que, entre os derrotados, os poucos que sobrevivessem fossem
reduzidos à posição de escravos. Também era comum que mulheres e crianças
fossem levadas como escravas ou para haréns estrangeiros.
Assim
sendo, o general sírio tinha o opróbrio de ser um leproso, ao mesmo tempo em
que seu país era maculado por suas práticas imorais.
“Naamã
era um homem de valor, mas era um leproso. Para quantos homens na história do
mundo essas palavras são aplicáveis! Eles são poderosos no intelecto, poderosos
em sua capacidade, mas não são íntegros e sãos em sua alma. Portanto, aquelas
grandes habilidades não redundavam em nenhum bem para o mundo ou para os
próprios eventos” (Raymond Calking, in loc.).
A
providência de Deus tinha posto a menina pequena na família de Naamã. Ali ela
fora reduzida a ser escrava da esposa de Naamã.
Cf.
Joel 3.6 quanto ao tráfico fenício de escravos judeus. É triste pensarmos em
como uma menina pequena, levada para um país estrangeiro, arrebatada de sua
parentela e de seus amigos, foi escravizada, finalmente, na casa de um general
pagão. Mas assim ditava a moralidade da época. Mulheres e crianças eram as
vítimas inocentes.
Oxalá o
meu senhor estivesse diante do profeta. A pequena menina israelita tinha
consciência do poder e da reputação de Eliseu e sabia que ele poderia resolver
o problema de enfermidade de Naamã. Ela falou à esposa do general sírio sobre a
“salvação” dele.
Em
Samaria. Essa cidade era a capital do reino do norte (Israel). O profeta,
embora viajasse com frequência, fazendo seus circuitos por toda a nação de
Israel, por muitas vezes tinha contatos com a capital do país. Muita gente ali
saberia como localizar o homem de Deus. “Foi então que o mistério da
providência divina começou a operar” (Adam Clarke, in loc.).
As
circunstâncias assumem algumas vezes formas extraordinárias, a fim de que os
eventos necessários possam ocorrer. Falamos em coincidências, mas isso é
simplesmente a nossa ignorância sobre como as coisas operam neste mundo.
CHAMPLIN,
Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 1486.
A
notícia que lhe foi dada a respeito do poder de Eliseu por uma pequena serva
que atendia a sua esposa (w. 2,3). Essa serva era israelita de nascimento,
providencialmente levada cativa para a Síria e ali entregue à família de Naamã,
onde divulgou a fama de Eliseu para a honra de Israel e do Deus de Israel. A
infeliz dispersão do povo de Deus às vezes tem sido a feliz oportunidade da
difusão do conhecimento de Deus (At 8.4). Essa pequena serva:
1. Como
convém a uma legítima israelita, considerou a honra do seu país, e, embora
fosse apenas uma criança, pôde dar um relatório do famoso profeta que eles
tinham entre eles. As crianças devem aprender cedo a respeito das maravilhosas
obras de Deus, para que, a qualquer lugar que forem, possam falar delas (veja o
salmo 8.2).
2. Como
convém a uma boa serva, ela desejou a saúde e o bem-estar de seu senhor, embora
fosse uma cativa, forçada a ser uma serva. Muito mais devem os servos por
escolha buscarem o bem de seus senhores. Os judeus na Babilônia deviam buscar a
paz da terra em que estavam cativos (Jr 29.7). Eliseu não purificou nenhum
leproso em Israel (Lc 4.27), mas essa pequena serva, a partir de outros
milagres que ele tinha operado, inferiu que ele podia curar o seu senhor, e da
sua beneficência geral, que Eliseu o miraria, embora Naamã fosse um siro. Os
servos podem ser bênçãos às famílias onde eles estão, ao falarem o que sabem da
glória de Deus e da honra de seus profetas.
HENRY.
Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora
CPAD. pag. 563.
3. A
Caravana de Naamã
Naamã
acreditou na palavra da escrava e foi até o seu rei a fim de lhe contar o que
ela lhe dissera. O rei sírio preparou uma carta ao rei de Israel, recomendando
a cura de seu comandante, bem como enviou presentes (2 Rs 5.5). O rei de
Israel, ao saber do que se tratava a visita de Naamã, ficou atemorizado e
rasgou as suas vestes, pois acreditava ser essa visita, um pretexto do rei
sírio para atacá-lo (2 Rs 5.7).
Comentário
A
menina falou claramente aos seus amos quem era o profeta e a quem eles deveriam
procurar, mas, equivocadamente, foram procurar o rei com uma carta e presentes.
O rei de Israel entendeu aquilo como uma provocação e pretexto para uma nova
guerra — por isso, a reação dele de rasgar as vestes (2 Rs 5.7). Na antiguidade
oriental, esse gesto do rei era muito usado quando se recebiam notícias ruins
ou quando se estava diante de uma situação fora de controle para demonstrar
profunda angústia e pesar — nesse caso, em reconhecimento da sua
impossibilidade em atender o general Naamã e o medo de uma provocação de guerra
em tempos de paz.
Para
compensar a humilhação do general de ter de buscar ajuda no país com o qual
travaram tantas guerras — pois tanto o rei da Síria quanto Naamã eram
orgulhosos e haviam tido muitas vitórias bélicas sobre Israel —, levaram muitos
presentes para entregar, porém, não procuraram o profeta Eliseu, mas o rei de
Israel, que ficou apavorado. Eliseu ficou sabendo da história e teve que
interferir diante do desespero do rei de Israel. O profeta solicitou que
encaminhassem o caso a ele com uma afirmação de confiança em Deus e, sobretudo,
ciente do seu ministério e da graciosidade do Senhor sobre a sua vida: “Deixa-o
vir a mim, e saberá que há profeta em Israel” (2 Rs 5.8b).
Pommerening.
Claiton Ivan,. O Plano de Deus para Israel em meio a infidelidade da Nação.
Editora CPAD.
Enviarei
uma carta ao rei de Israel. O portador da citada carta foi o próprio general
Naamã. Ele buscava a ajuda do rei, sobretudo na localização de Eliseu. Naamã
levou uma companhia de homens armados, como guarda-costas, e também uma grande
soma em dinheiro e dez mudas de roupa, que serviriam de presente ao rei de
Israel, a fim de encorajar a sua cooperação. Sem dúvida, parte desses materiais
valiosos acabaria sendo presenteada a Eliseu, visto que era costumeiro
presentear os profetas quando a ajuda deles era buscada.
Naquele
tempo ainda não tinha começado o uso de moedas, portanto a referência aqui ao
dinheiro, sem dúvida, deve ser a metais preciosos divididos em pequenas porções.
Naamã levou consigo dez talentos de prata e seis mil sicbs de ouro.
Uma de
minhas fontes informativas calcula o valor total em oitenta mil dólares, embora
não haja maneira de calcular o poder de compra desse dinheiro. Não obstante,
340 quilogramas de prata (os dez talentos) e 68 quilogramas de ouro (os seis
mil siclos) representavam um grande valor, que somente um homem muito rico
poderia ter oferecido. E também havia dez mudas de roupa de primeira qualidade,
conforme podemos ter certeza.
Para
que o cures da sua lepra. O propósito da carta. Naamã, o portador e sujeito da
carta, era um general sírio, mas tinha uma necessidade especial. Ele era
leproso e procurava a cura para a sua enfermidade. Não há nenhuma informação
sobre os presentes que teriam sido dados, embora isso fosse costumeiro. Os
chefes de estado naturalmente recebiam mercadorias valiosas da parte de
suplicantes e visitantes. A abordagem foi direta e honesta, mas o rei de Israel
julgar-se-ia vítima de um truque.
Procura
um pretexto para romper comigo. Incompreensão geral. Jorão, rei de Israel,
ficou consternado diante da carta apresentada pelo general sírio. O rei de
Israel compreendeu mal o teor da carta. O rei da Síria não esperava que Jorão
fizesse o trabalho de Deus, de salvar e curar. Só queria que ele o enviasse a
Eliseu, que tinha a autoridade de Yahweh e poderia realizar a obra de cura. Mas
Jorão imaginou que fosse tudo um truque, a fim de que o rei da Síria tivesse um
motivo para lançar um ataque contra Israel, que não “cooperara” quando fora
solicitado, para beneficiar um grande general sírio. Por isso, o rei de Israel
rasgou suas roupas para demonstrar sua indignação. Ver no Dicionário o artigo
chamado Vestimentas, Rasgar das, quanto a esse costume, seus modos e
significados.
Cf. outros
incidentes com o caso presente, em II Reis 2.12/6.30 e 11.14. Os dois países
estavam em paz, mas Jorão achou que Ben-Hadade estava querendo reiniciar as
hostilidades, tal como havia feito contra seu pai, Acabe (ver I Reis 20.1-3). O
rei Jorão, acostumado a matanças, foi surpreendido por uma carta que propunha
salvação e cura.
“Jorão
estava em posição difícil para renovar as hostilidades, após a severa derrota
de seu pai (I Reis 22.30 ss.)” (Ellicott, in ioc.).
CHAMPLIN,
Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 1486-1487.
O
pedido que o rei da Síria fez, depois disso, ao 11JL rei de Israel em nome de
Naamã. Naamã tomou conhecimento da informação, embora dada por uma simples
serva, e não desprezou a informação por causa da insignificância da serva,
quando a informação visava a saúde do seu corpo. Ele não disse: “A menina fala
como uma tola, Como qualquer profeta em Israel pode fazer por mim o que todos
os médicos da Síria têm tentado em vão?”. Embora ele não amasse nem honrasse a
nação dos judeus, se alguém daquela nação pudesse apenas curá- lo da sua lepra,
ele reconheceria a obrigação de forma agradecida. Quem dera aqueles que são
espiritualmente doentes ouvissem assim prontamente as novas trazidas a eles
pelo grande Médico! Veja o que Naamã fez a respeito dessa pequena sugestão.
1. Ele
não enviaria mensagem ao profeta para que viesse até ele, mas tal honra ele
pagaria a alguém que tinha em si tanto poder divino a ponto de ser capaz de
curar doenças. Ele mesmo iria até ele, embora ele mesmo fosse doente,
inadequado para a sociedade, a jornada fosse longa e se tratasse do país de um
inimigo. Os príncipes, pensa ele, devem inclinar-se diante dos profetas quando
precisam deles.
2. Ele
não iria incógnito — disfarçado, embora sua missão proclamasse sua doença
repugnante, mas foi com pompa, e com grande comitiva, para prestar maior honra
ao profeta.
3. Ele
não iria de mãos vazias, mas levaria consigo ouro, prata, roupas, para
presentear seu médico. Aqueles que são prósperos e necessitam de saúde, mostram
o que eles consideram a bênção mais valiosa. O que eles não darão pelo
bem-estar, força e saúde do corpo?
4. Ele
não iria sem uma carta ao rei de Israel da parte do rei seu senhor, o qual
desejava sinceramente a sua recuperação. Ele não sabe onde, em Samaria,
encontrar esse profeta operador de maravilhas, mas toma por certo que o rei
sabe onde encontrá-lo. E, para levar o profeta a fazer o máximo por Naamã, ele
irá até ele apoiado pelos dois reis. Se o rei da Síria deve pedir a sua ajuda,
ele espera que o rei de Israel, sendo o seu senhor, possa ordenar que o faça.
Os dons do súdito devem todos (pensa ele) estar a serviço e ser para a honra do
príncipe e, por isso, ele roga ao rei que o restaure da sua lepra (v. 6),
tomando por certo que havia uma intimidade entre o rei e o profeta maior do que
realmente existia.
O susto
que isso provocou no rei de Israel (v. 7). Ele entendeu que havia nessa carta:
1. Uma
grande afronta a Deus, e por isso ele rasgou suas vestes, de acordo com o
costume dos judeus quando eles ouviam ou liam algo que consideravam ser
blasfemo. E seria menos do que uma blasfêmia atribuir a ele um poder divino?
“Sou eu Deus, para matar a quem eu quiser, e para vivificar a quem eu quiser?
Não, eu não alego ter tal autoridade.” Nabucodonosor alegava, como encontramos
em Daniel 5.19. “Sou eu Deus, para matar com uma palavra, e para vivificar com
uma palavra? Não, eu não alego ter tal poder.” Assim, esse grande homem, esse
homem mau, é levado a reconhecer que é apenas um homem. Por que ele, com essa
consideração, não se corrigiu por causa da sua idolatria, e pensou assim: — eu
adorarei como deuses aqueles que não podem matar nem vivificar, que não podem
fazer nem o bem nem o mal. Um mau projeto para si mesmo. Ele apela para aqueles
que estavam à sua volta por isso: “Vede que busca ocasião contra, mim. Ele me
pede que cure a lepra, e, se eu não o fizer, embora eu não possa, fará disso um
pretexto para promover uma guerra contra mim”, o que ele suspeita ainda mais
por ser Naamã o seu general. Tivesse ele compreendido corretamente o
significado da carta, que quando o rei lhe escreveu para curar a lepra ele quis
dizer que ele cuidasse para que Naamã fosse curado, não teria ficado com esse
espanto. Note: Nós geralmente criamos muita preocupação para nós mesmos ao
interpretar mal as palavras e as ações de outros que são bem intencionados: E
amor a nós mesmos não pensar nenhum mal. Se ele tivesse se lembrado de Eliseu e
do seu poder, facilmente teria compreendido a carta, e sabido o que tinha de
fazer. Mas ele se coloca nessa confusão, fazendo-se um estranho ao profeta: A
serva cativa o tinha mais em seus pensamentos do que o rei o tinha.
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