1ª.A ESCRAVIDÃO É MUITO MAIS ABRANGENTE...
INDEPENDE DA ETNIA, SEXO, IDADE... SEJA LIVRE...
HIV/AIDS: uma tragédia plantada no
solo africano 1ª.
O impacto da epidemia de contaminação pelo vírus
HIV e do desenvolvimento da Aids em continente africano, já qualificado de
pandemia devido às proporções atingidas, tem levado diversos programas
vinculados à ONU a proporem debates mundiais e pesquisa mais apurada para medir
a dimensão dessa tragédia contemporânea. No prefácio do quarto relatório global
da Unaids, divulgado no ano passado, o secretário geral das Nações Unidas, Kofi
A. Annan, descreve a situação como um novo tipo de emergência global, em que os
países africanos desempenham um papel central nas discussões. Para a FAO – organização
da ONU para a área de alimentação e agricultura – a pandemia não é somente um
problema relacionado à área de saúde, mas um fator que afeta o desenvolvimento
em geral.
FRAGILIDADE RURAL As previsões sobre os impactos da
doença na produção rural africana são pessimistas e indicam uma redução
drástica da força de trabalho no campo: estima-se que na Namíbia, até 2020
haverá uma redução de cerca de 26%, e em Botswana 23%. Essa redução da força de
trabalho rural tem conseqüências diretas na economia dos países africanos e
aumenta a fragilidade das comunidades rurais, em relação à questão alimentar
com a queda da produção de subsistência.
Estudos da FAO evidenciam várias conseqüências
maléficas do impacto da epidemia, e a conseqüente morte prematura da população
rural. Por essa razão, especialistas da organização consideram a doença como
fator importante a ser considerando no planejamento sócio-econômico dos países.
A situação é difícil tanto para os africanos da
zona rural, como para os responsáveis por políticas para a região. A
especialista Marcela Villarreal, em documento publicado pela FAO em 2003,
mostra que apesar das implicações do HIV/Aids sobre a demografia das populações
rurais africanas já serem bem conhecidas, os efeitos da epidemia sobre a produção
para subsistência e segurança alimentar dos habitantes das zonas rurais ainda
precisam ser mais estudados. Ela aponta a necessidade de se criar as
ferramentas para medir com exatidão os impactos da doença.
NÚMEROS TRÁGICOS O tratamento de HIV/Aids
significaria um fator-chave para o desenvolvimento dos países africanos onde
cerca de 80% da população depende da produção agropecuária para a
sobrevivência. Uma pequena parcela da população africana rural contaminada é
medicada e desempenha a importante tarefa de continuar trabalhando para
garantir alimentos para o resto da comunidade.Uma alimentação de qualidade e em
quantidade suficiente é uma das medidas necessárias e urgentes para deter a
progressão do HIV para a Aids nessas comunidades.
Enquanto muitos acontecimentos montam o cenário da
"peste negra" do século XXI, a África subsaariana continua sua rota
trágica com os maiores índices de infecção do mundo: cerca de 30 milhões de
habitantes vivem com HIV/Aids; mais de 15 milhões já morreram com Aids; e mais
de 11 milhões já perderam pelo menos um parente por causa da doença. Em
Botswana, as taxas de incidência de HIV/Aids estão em cerca de 30% da
população, e continuam aumentando. As previsões são de que, mantido o atual
cenário, cerca de 20 milhões de crianças africanas abaixo de 15 anos serão
órfãs em 2010.
LOTAÇÃO DOS CEMITÉRIOS Um pequeno artigo publicado
por Michael Wines no New York Times intitulado "Full graves, then fuller,
for rising toll" ilustra bem o drama africano nos dias de hoje. O artigo
conta que em Durban, na África do Sul, o elevado número de mortos pelo vírus
HIV tem levado o coveiro Mr. Gasa a buscar soluções para um novo problema: a
lotação dos cemitérios. O que fazer? Desenterrar os ossos, reutilizar a mesma
cova ou queimar os mortos? Por enquanto, Mr. Gasa tem optado por 'reciclar' as
mesmas covas. A cremação poderia ser uma escolha, não fosse a resistência
cultural dos zulus, que habitam a região, a tal prática.
Durban exemplifica uma estranha novidade na
ocupação do solo africano. Antes da pandemia, a terra era utilizada,
essencialmente, para sustentar as economias da maioria dos países africanos
agrícolas. Hoje, o solo continua sendo utilizado para a produção agropecuária,
mas os cemitérios lotados concorrem cada vez mais por espaço.
Juliana Schober
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