Cuba,
Rússia, China e o “fim” do Comunismo
Paulo Henrique Araujo,
O tempo
em que vivemos, apesar das diversas transformações, ainda é regido por uma
“velha ordem mundial” estabelecida desde a Primeira Grande Guerra. Grandes
mentiras são vendidas como verdades absolutas para as últimas cinco gerações do
pós-guerra de 1945, da quais faço questão de destacar duas por ordem de
criação:
1.
Nunca mais teremos uma guerra irracional como esta [Segunda Guerra Mundial], a
humanidade será voltada ao humanismo, valores universais, tolerância e diálogo.
A
primeira mentira não é o centro deste breve texto, mas vale o registro de que,
em nome de manter a propaganda viva e que essa falsidade representa a verdade
absoluta, os maiores absurdos foram varridos para debaixo do tapete ao longo
dos últimos 78 anos, transformando as relações diplomáticas em um jogo
“engomado” e de aparências. Os valores dito humanistas e pacíficos não passam
de um véu fino, onde todos enxergam a verdade, mas qualquer indivíduo que diga
o que realmente está atrás do véu, será perseguido, achincalhado e até mesmo
criminalizado.
2. O
comunismo acabou com a queda do muro de Berlim e a dissolução da União
Soviética.
Esta
segunda mentira é a mais repetida, justamente por aqueles que querem continuar
mantendo a ilusão humanista, tolerante e de valores universais, sendo também a
mais defendida com paixão colérica pelos inocentes úteis. Ora, qualquer pessoa
que tenha lido e estudado um pouco sobre o comunismo, entendeu rapidamente que
a sua base filosófica e até mesmo pretensamente religiosa advém da estrutura de
pensamento marxista.
Os
regimes comunistas, atuais e extintos, seguiram as bases doutrinárias da
filosofia marxista. Sua aplicação foi alterada e metamorfoseada ao longo do
tempo, sempre de acordo com a cultura a ser subjugada. Porém, o elemento base
que aglutina o ideal revolucionário e que direciona a estrutura filosófica,
cultural e política do comunismo permanece viva.
Para
deixar ainda mais claro, vou utilizar o exemplo que o ex-Presidente e atual
Vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, nos deixou
em seu twitter no último dia 03 de junho de 2023:
“Hoje,
o líder da Revolução Cubana, camarada Raúl Castro, completa 92 anos. Por muitas
gerações de cubanos, Raúl Castro foi o símbolo da luta pelos ideais de
liberdade e independência de seu país.
Raul
Castro apoiou as ações da Rússia na situação relativa à Ucrânia e expressou
certeza em nossa vitória.
“Agradecemos
ao nosso camarada pelo apoio que Cuba oferece à Rússia em relação à guerra
híbrida desencadeada pelo Ocidente.”
Note a
existência de uma união de objetivos e, acima de tudo, ideológicas que unem
suas visões de mundo. Medvedev parabeniza Castro e relembra seus feitos ao
longo dos 64 anos de ditadura comunista que impera na ilha caribenha,
classifica como luta por ideais de liberdade e independência toda a repressão,
perseguição, assassinato e corrupção perpetrado por Raúl e seu falecido irmão
Fidel Castro. Como um bom marxista, deixa exposto que não importa o caminho que
esteja trilhando, se a finalidade é implementar a revolução, tudo que acontecer
pelo caminho é aceitável, pois o ideal futuro do comunismo será atingido.
Importante lembrar o caro leitor: estamos em 2023 e, teoricamente, o comunismo
acabou em 25 de dezembro de 1991… que mentira agradável!
Ainda
em novembro de 2022, o atual ditador do comunismo cubano, Miguel Díaz-Canel,
visitou o chefe de Medvedev, Vladimir Putin em Moscou e, juntos inauguraram uma
estátua de Fidel Castro em uma praça pública, mas lembre-se: isto nada tem a
ver com o comunismo. Segundo as mentiras que são deliciosas de se crer, “o
inimigo agora é outro, precisamos nos unir contra o satã ocidental”,
classificado por esses como identitarismo e globalismo.
Proponho
aqui mais um breve exercício: convido a todos estudarem a origem das ideias
identitárias, chegaremos certamente na Escola de Frankfurt e, ao aprofundarmos
mais, descobriremos a filosofia marxista como a base de toda a estrutura desta
sub-ideologia. Por outro lado, ao observarmos as bases e estruturas do
globalismo, encontraremos boa parte da organização de ações e teses
desenvolvidas por Vladimir Lênin, pai da revolução comunista na Rússia e,
quando aprofundado, também chegaremos no marxismo como o berço ideológico e
núcleo central de todas estas ações.
A
verdade é que, independente da escolha, todos os caminhos levam a Marx e sua
filosofia, que pavimentam o caminho para a aplicação do comunismo, seja ele aos
modos soviéticos com totalitarismo de Estado, seja ele pelo modo “globalista”
com a subversão total do homem, controlando-o por sua genitália e conta
bancária.
Aqui,
deixo alguns pontos para reflexão do caro leitor:
Como é
possível que o comunismo tenha “acabado” com a queda da união soviética, se
esse não foi criado ou unificado nela?
Mesmo
após a queda da União soviética, diversos regimes comunistas mantiveram-se de
pé, como: Cuba, Coréia do Norte, Angola, China entre outros. Estes não são
comunistas e abandonaram o Marxismo?
Se o
comunismo não pode e não deve ser resumido a um projeto político de poder, como
é possível que a queda do regime em uma federação seja o responsável pelo fim
do comunismo?
Se o
comunismo realmente acabou, como as bases filosóficas do marxismo continuam
mais vivas e praticamente hegemônicas em todas as culturas do planeta?
Poderia
elencar aqui várias questões adicionais, mas como sabemos, todas elas levam a
uma única conclusão: o comunismo jamais acabou. Suas bases, valores e ações
continuam mais vivos e operantes do que nunca. Dimitri Medvedev nos mostrou
isso, rasgando o véu da mentira e expondo a verdade para todos. Porém, o mais
difícil não é encontrar a verdade, é lidar com o seu peso e como ela destrói as
ilusões em que desejamos viver. Seja “direita” ou “esquerda”, uma quantidade
enorme de pessoas correrá para levantar o véu e fazer de conta que jamais viu o
que estava do outro lado e… coitado de quem ousar contradizer estas mentiras
absolutistas.
Paulo
Henrique Araújo
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